Estatuto Público



Estatuto Público

Sobre a Rede de Proteção à Vida

A Rede de Proteção à Vida é uma instituição voltada para a diminuição do sofrimento humano e para a construção de uma plena e amadurecida cultura de paz e cooperação entre todos os seres humanos. Na qualidade de uma organização voltada para o bem comum, a Rede igualmente se propõe a contribuir para a implementação de uma ação ecológica associada aos mais saudáveis modelos de equilíbrio ambiental e gerenciamento de recursos naturais, de forma a permitir que a vida, em todos os seus níveis e condições, possa sustentar-se de maneira plena e harmonizada em todo o planeta.

Conscientes da complexidade de tal tarefa, os fundadores da Rede assumem suas metas de forma amadurecida e sem romantismos ideológicos. Acreditamos que as manifestações de sofrimento que nos cercam cotidianamente devem ser encaradas de um ponto de vista essencialmente prático – práticas cotidianas pequenas, médias ou grandes, realizadas em todos os níveis de atuação possíveis e realistas, feitas por todos aqueles que sintam em seus corações a dor ou o incômodo de perceber as realidades extremamente insalubres manifestadas no mundo que nos cerca.

Acreditamos que não somos seres, mas sim, interseres. Interagimos no mundo não apenas como indivíduos, mas igualmente como grupos, instituições públicas ou privadas, nacionais ou internacionais. Esta condição essencial de integralidade é também reconhecida pela Rede de Proteção à Vida em todas as formas existenciais do mundo – sejam animais, vegetais ou minerais - e do universo – desde as partículas subatômicas aos grandes aglomerados estelares.

Temos como certo que não existiríamos sem os outros. Compreendemos profundamente o fato de que nenhum ser vivo ou objeto no cosmos existe sem que, para isso, outros seres e formas tenham existido anteriormente. Cada segundo de nossas vidas só é possível porque milhares de seres, direta ou indiretamente, trabalham, investem suas vidas e energias para que isso seja possível.

O modelo narcisista de individualidade baseado na idéia de um Eu auto-suficiente provou-se incapaz de construir um mundo cooperativo e inclusivo, respeitador da pluralidade e das diferenças. Ainda que tenhamos avançado bastante na compreensão das causas da destrutividade cega voltada contra o outro, tragicamente manifestada nos exemplos de violência cotidiana presente nas grandes cidades ou entre governos – violência feita contra todos os grupos que sejam caracterizados por diferentes comportamentos e opiniões, raças, religiões, opções sexuais e modelos sócio-econômicos – e ainda que compreendamos os grandes e perversos mecanismos subjacentes aos ciclos macro e micro econômicos inerentes aos enormes interesses dos senhores das guerras e das políticas intervencionistas e cruéis, todo esse conhecimento e compreensão tem sido de pouca validade para uma transformação substancial do quadro de escassez que assola nosso mundo: escassez de amor, de compaixão, de calor humano, de água, de comida, de respeito à natureza, de cooperação – numa gigantesca crise de compaixão.

Por compaixão queremos dizer: a paixão comum entre o eu e o outro. Quando sentimos em nosso peito a paixão (integrada) pelo outro – um sentimento particular de emoção pelo outro – esta experiência voltada para alguém retorna a nós mesmos, e então deixamos de ser um e outro e ultrapassamos as fronteiras de uma individualidade narcísica, fundamentada por nossa ignorância e cegueira perceptiva, e assim atingimos a forma mais correta de ação consciente e comunitária, em um belo exercício fraterno, inclusivo e sincero de reconhecimento e compreensão mútuos. A partir desta constatação, assumimos o esforço de construir as bases para uma vida compartilhada, em num mundo integrado e cooperativo. A base dessa Rede (construída pelo trabalho realizado no mundo, na ação externalizada de nosso crescimento pessoal) desloca-se, dessa forma, de fora para dentro de nós.

A guerra, a violência e a fome são reflexos, espelhos de nossas guerras internas, nossa ilusória dualidade, que nos impulsiona para a controvérsia emocional de constantemente desejar e rejeitar os mesmos seres e coisas. Este angustiante conflito interno reflete-se, da mesma forma, na violência que domina e direciona nossos pensamentos e ações no cotidiano, os quais são como miragens produzidas pela nossa fome de sermos amados – ainda que na maior parte do tempo nosso amor seja ditado por interesses secundários, aos quais sequer nos damos conta.

Não procuramos seres perfeitos, buscamos seres capazes de assumir suas limitações e imperfeições de forma honesta e atenta, e que sejam capazes de utilizar o seu aprendizado de superação destas limitações em prol do desenvolvimento da vida. Como os guerreiros de Shambala, compreendemos que a maior coragem possível é assumir a responsabilidade de ser exatamente aquilo que somos – essa é a única base possível para a transformação.

A Rede de Proteção à Vida, na condição de uma instituição voltada para a cura e transformação dos seres, assume as seguintes metas:

· Propor um modelo de livre funcionamento da vida, exercitado no âmbito interno do indivíduo, como base da co-existência social.

· Manter-se uma instituição de livres pensadores e pesquisadores, completamente apartidária, leiga (sem nenhuma subordinação formal a quaisquer religiões), e sem relação com quaisquer seitas ou movimentos esotéricos, new agers ou semelhantes.

· Fomentar em seu escopo de trabalho o desenvolvimento e ensino de uma Ética Consciencial, através da qual reconhecemos em cada ato, palavra ou pensamento as sementes da correta compreensão, correta ação, correto trabalho e correto discernimento, assim formando mentes e corações livres e simples plenamente auto-regulados e afinados com a vida, capaz de realizar ações humanistas e respeitadoras dos diretos de todos.

· Propor um modelo social profilático como forma de assegurar a médio e longo prazo o desenvolvimento de novas gerações comprometidas com a preservação da vida e a diminuição do sofrimento humano.

· Propor, praticar e desenvolver o paradigma social baseado no axioma de que "a vida deve sempre se reconhecer como vida", assim protegendo o fluxo vital das relações interpessoais em todas as suas formas e manifestações.

· Propor o livre e saudável exercício da Arte e da Cultura, como meios válidos para o engrandecimento da vida, e para a valorização da sensibilidade e beleza do mundo – elementos fundamentais e imprescindíveis para o amadurecimento da consciência e o desenvolvimento da humanidade.

· Manter um Centro de Estudos organizador de palestras, cursos, seminários, fóruns de debates relevantes e inovadores.

· Sustentar um Centro de Excelência Profissional, envolvendo temas e conceitos teóricos e práticos ligados à maior compreensão dos processos de construção e destruição da vida.

· Manter um Centro de Pesquisas voltado para as possíveis aplicações da bioenergia e para o maior entendimento dos desdobramentos da destrutividade humana, como por exemplo, a destrutividade implícita na organização da maioria das atuais instituições empresariais, sociais e políticas.

· Desenvolver um Centro de Práticas Perceptivas, com foco puramente leigo e multidisciplinar na proposta contemplativa e integrativa da tradição buddhista, propondo meios de treinamento da mente que fomentem o equilíbrio, o correto discernimento, e os valores éticos voltados para o respeito aos seres e a cura do sofrimento humano.

· Organizar uma rede de indivíduos, grupos, ongs, instituições, etc, interessados na compreensão, proteção e profilaxia dos processos vivos, em seus mais distintos domínios e níveis de manifestação, estabelecendo diálogos e práticas comuns voltadas para a formação de uma teia de vida que seja interpessoal, integrativa e plenamente voltada para o bem maior de todos os seres.

Convidamos todos aqueles que se identificam com estes propósitos a participar desta iniciativa na forma que desejarem. Precisamos dos cientistas, filósofos, pensadores, dos profissionais de saúde, dos artistas, dos meditadores, dos esportistas, biólogos, administradores, e até mesmo dos que ainda não são nada – já que muitas vezes o anonimato vem a ser a representação definitiva de tudo o que podemos ser.

É fundamental reconhecer que cada um de nós leva um pedaço da verdade, e que esse tecido de sabedorias compartilhadas é infinitamente mais amplo do que podemos perceber em nossos estados condicionados de consciência. Ao trabalhar para que o reconhecimento desta orgânica inter-relação de verdades seja finalmente percebido, a Rede de Proteção à Vida será capaz de costurar com o fio vermelho da vida plena uma verdade mais ampla, mais inclusiva, mais espaçosa e clara, onde caibam confortavelmente todos os seres em sua extraordinária diversidade.

Uma "rede de destruição da vida" já funciona globalmente de forma terrivelmente organizada. Esta triste condição mundial representa a assustadora prática de utilização da inteligência à serviço da não-vida, da ignorância dissociativa e fanática, da racionalidade fundamentalista. Faz-se urgente que um forte e determinado processo de favorecimento dos aspectos mais saudáveis e esclarecedores da mente e do espírito humano seja fomentado através de uma nova proposta institucional, um novo modelo de administração e organização das ações humanas – um processo realmente orgânico, vital, fluido e perfeitamente harmonizado como o fluxo impermanente e renovador da Vida.

Os grupos humanos voltados para a transformação dos indivíduos possuem como maior e mais digna meta o esforço de construir cada vez mais entre si uma, duas ou várias "redes de proteção" em todos os lugares, dando margem para que um único movimento de respeito à vida se consolide e revolucione as sociedades.

Através de seu corpo de profissionais e de suas ações e conceitos, a Rede de Proteção à Vida assume integralmente a responsabilidade de valorizar esta proposta de transformação e cura, e permanece convicta de estar contribuindo, suave e gentilmente, para a completa dissolução dos aspectos antivida da existência.

Rede de Proteção à Vida

Diretoria Geral

Luiz Fernando e Silva
Simone Rocha
Claudio Miklos




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